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[30/04/2010]
Do circunstancial ao possessivo
O pensador é o homem que oscila entre o original e o criativo. Originalidade significa, em ultima análise, ver o que todo o mundo já viu e imaginar de maneira que ninguém pensou.
Ser original não consiste, portanto, em fazer as coisas diferentes, mas também em fazer da melhor maneira. Armando Nogueira advogava que é melhor copiar o bom, do que inventar o ruim. Outra lição importante é nunca andar pelo caminho traçado, pois ele conduz somente aonde os demais já foram.
A sabedoria popular diz que o sucesso individual é descrito por ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro. Este conjunto significa ter uma história a contar. Fazendo um paralelo, um bom romance precisa encerrar uma boa história, contá-la e saber contar.
Ninguém consegue ser original ou criativo se não for curioso. Nada se cria sem observação, caminho para admitir a possibilidade de fazer mais fácil e melhor.
Circunstâncias, muitas vezes, representam a decisão inteligente; todavia, distanciada da certeza, do direito e da vontade coletiva.
Excelente ilustração para entender criatividade fez Artur Koester, autor de “O zero e o infinito”, ao afirmar ser a criatividade um tipo de processo de aprendizado, em que o professor e o aluno se acham no próprio indivíduo.
De toda sorte, há três maneiras de fazer as coisas: a maneira errada, a maneira certa e a melhor maneira. O que deve ser evitado é uma atitude de querer mudar tudo, de maneira obsessiva, mesmo sabendo que, ao se tentar colocar bom senso na cabeça do obsessivo, ele dirá que é tolice, imaginando que só existe uma verdade, a sua.
O exagero tem destruído relacionamentos pessoais e familiares, a partir do instante em que a carreira passa a ser a prioridade número um. Tenho que chegar na frente, sobrepujar os outros a qualquer custo! Isto sucede a partir do momento em que o sucesso profissional for mais visível que o sucesso individual.
As lideranças, nestas ocasiões, são melhores quando a visão é estratégica, a voz persuasiva e os resultados, tangíveis.
Se o conservadorismo é paralisante, a possessividade é abominável, agressiva e destruidora do bom, da harmonia, do construtivo, chegando às barras da traição.
Imagino que as sociedades conseguirão chegar a dias cuja convivência seja calcada em jogo limpo, no amor ao próximo, no respeito, na conduta ilibada, na liberdade, e que a seriedade seja marcante no comportamento das gerações atormentadas e trepidantes dos tempos atuais.
Agir de acordo com as circunstâncias não é o mesmo que agir livre e de espontânea vontade. Circunstâncias, muitas vezes, representam a decisão inteligente; todavia, distanciada da certeza, do direito e da vontade coletiva.
Aucélio Melo de Gusmão
Presidente da Unimed João Pessoa
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