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[17/11/2008]
Congresso Internacional de Endocrinologia

A cidade do Rio de Janeiro foi sede do 13º Congresso Internacional de Endocrinologia entre os dias 8 e 12 deste mês do qual participaram cerca de 7 mil congressistas. Renomados cientistas e pesquisadores estiveram presentes no evento e discutiram importantes temas da especialidade, particularmente ligados à obesidade, diabetes, doenças da tireóide, menopausa, osteoporose, crescimento, desenvolvimento e envelhecimento, hipertensão arterial, gorduras sanguíneas e doenças do coração, além de assuntos relativos à nossa qualidade de vida como crescimento da população urbana e aquecimento global. Entre os inúmeros temas que mais chamaram a atenção, destacamos:

Abuso do hormônio do crescimento

O professor Ken Do, da Austrália, tratou do abuso do hormônio do crescimento (GH) no esporte e no combate ao envelhecimento. Segundo ele, não existem evidências científicas de que a suplementação com o hormônio tenha valor em tratamentos antienvelhecimento e, por isso, não deve ser recomendado. Por outro lado, muitos atletas acreditam que podem obter melhores performances com este hormônio, mas um estudo apresentado pelo professor Ken Do mostrou que o GH possui um efeito psicológico importante, principalmente entre os atletas masculinos. Relacionou, ainda, outras substâncias proibidas em competições esportivas como esteróides anabolizantes, agonistas beta, hormônios antagonistas, narcóticos, estimulantes, canabinóides, glicocorticóides e diuréticos.

Deficiência de vitamina D em regiões ensolaradas

O fato de viver em um País ensolarado não livra a pessoa da deficiência de vitamina D, conforme o professor Roger Bouilon, da Universidade Católica de Leuven, Bélgica. A exposição ao sol pode ser útil, mas não é a única solução para que se atinja níveis desejados, sem esquecer os riscos de câncer de pele. Na realidade, a resposta está na ingestão de alimentos que são fontes de vitamina D ou nos suplementos. Pesquisa realizada na vizinha cidade do Recife confirma essa teoria. Esse é um tema bastante importante haja vista o envelhecimento da população e o aumento do número de fraturas, principalmente de colo de fêmur e de bacia, que são acompanhados da grande morbi-mortalidade.

Obesidade: uma preocupação mundial

A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública nesse início de século. Segundo o professor Barry Popkin, da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, estima-se que 1,6 bilhão de pessoas em todo o mundo estejam acima do peso. Mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares, além do aumento do consumo de bebidas cada vez mais calóricas, são fatores determinantes dessa epidemia. Educação em massa, criação de regulamentos e maior tributação em produtos não-saudáveis são algumas das ações apontadas para diminuir o aumento da obesidade e do sobrepeso.

Diabetes

O diabetes é outro grande problema de saúde pública que vem aumentando de forma assustadora, particularmente pela íntima vinculação com a obesidade. Estima-se que no mundo existam cerca de 242 milhões de diabéticos, cifra que chegará aos 300 milhões no ano de 2030. No Brasil, calcula-se que cerca de 11 milhões de adultos sejam diabéticos. Nos últimos anos, várias drogas foram pesquisadas e lançadas pelas indústrias farmacêuticas para o controle da doença, além de equipamentos que contribuem para que o controle da doença seja alcançado. Alguns medicamentos estão sendo testados para a prevenção do diabetes, mas mudanças de hábitos de vida, como alimentação saudável e combate ao sedentarismo, são as grandes armas para as pessoas têm para evitar o aparecimento da doença.

Tireóide e gravidez

Esse foi um tema bastante discutido, principalmente as repercussões do hipotiroidismo na gestação. Segundo o professor John Lazarus, da Inglaterra, muitas mulheres com hipertiroidismo têm medo de engravidar, pois acreditam que pode ser prejudicial ao bebê. Mas, se a monitoração é feita cuidadosamente, esse problema é bastante minimizado e praticamente desaparece. Muitos casos de hipotiroidismo ocorrem depois de uma fase de hipertiroidismo na gestação. Por isso, todo o tratamento deve ser discutido com a paciente, os efeitos colaterais sejam esclarecidos, com os riscos tanto para a mãe como para o feto. Essas orientações devem ser feitas em conjunto com o obstetra e o pediatra, sendo necessária uma avaliação pós-parto com o endocrinologista.

HISTÓRIA DA MEDICINA

1) Com referência ao doping nas competições esportivas, em 1904, Thomas Hicks ganhou a maratona com aguardente e estricnina administradas durante a corrida.
2) Em 1960, o ciclista Knud Jensen faleceu durante as olimpíadas de Roma por causa de anfetaminas.
3) Os testes antidoping foram inseridos nas competições olímpicas em 1974 e, nas olimpíadas de Seul, 1988, o atleta Bem Johnson foi desclassificado, mesmo tendo ganhado a corrida dos 100 metros, por ter sido reprovado no antidoping.

João Modesto Filho
Diretor Financeiro da Unimed João Pessoa


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