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Artigos Médicos

Marco Aurélio Smith Filgueiras

Marco Aurélio Smith Filgueiras

CRM-PB: 1368 Especialidade: Neurologia

Dislexia e as escolas

Publicada em 28/09/2018 às 18h

Dislexia é um distúrbio do aprendizado que pode afetar pessoas de todas as idades (10% da população mundial ou cerca de 760 milhões de indivíduos), sendo mais comum em crianças em torno de 5 a 7 anos de idade na fase de alfabetização e escolaridade. Estima-se que uma em cada dez experimente este problema. Ao tornar-se estudante, a criança iniciará uma etapa de transição entre o lar e a escola: uma etapa de adaptação ou inadaptação a essa nova estrutura. Estrutura essa que apresentará normas, exigências, relações sociais etc., sendo de vital importância para a formação da personalidade do aluno. Um fracasso nesse período evolutivo poderá trazer danos.

Pode-se suspeitar de dislexia pela simples observação do seu comportamento quando em contato com a informação ou meios que se utilizem de forma, letras e números. É nesta ocasião, então, que constatamos dificuldades para ler, escrever, soletrar e, às vezes, calcular. Algumas crianças pegam o jeito das palavras rapidamente e outras tropeçam até conseguir formá-las e interpretá-las corretamente.

Interessante chamar a atenção para algumas características fundamentais do seu portador: são inteligentes até acima da média (os maiores gênios da humanidade, a exemplo de Einstein, eram disléxicos); em virtude da dificuldade de aprender tornam-se inquietos, às vezes com distúrbio do comportamento que nada tem a ver com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); sua visão e audição são normais; exame de eletroencefalograma e de imagem cerebral, como tomografia e ressonância do cérebro, não mostram qualquer alteração.

Pesquisas têm demonstrado o papel da genética e hereditariedade. O disléxico nasce com uma limitada capacidade de aprendizagem em determinadas áreas cerebrais responsáveis pela linguagem. A grande verdade é que a maioria das escolas não está preparada para lidar com eles, que precisam de um cuidado especial. Fazemos questão de frisar: são crianças especiais, mas não por deficiência e sim porque precisam de ensino diferenciado.