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Artigos Médicos

Maria de Fátima Duques

Maria de Fátima Duques

CRM-PB: 2638 Especialidade: Gastroenterologista

Hepatite C: enfim, a cura

Publicada em 20/07/2018 às 18h

Percorreu-se um longo caminho para que a hepatite C pudesse entrar no rol das infecções com uma perspectiva de cura e erradicação do vírus C em vários países do mundo.  Essa longa história, desde a descoberta do vírus, envolveu diversos tratamentos, alguns com efeitos colaterais graves e índices de cura muito baixos.

Os tratamentos vigentes já têm melhor resultado, mas existem novos medicamentos de última geração e alta eficácia, com um índice de cura em torno de 97%, cifra impressionante se comparada aos 50-70% anteriores. O tratamento é indicado para todos os genótipos do vírus C, quase não têm efeitos colaterais, é feito com comprimidos e dura apenas 12 semanas. No Brasil, ainda aguardamos a incorporação e distribuição pelo SUS desses medicamentos de última geração, já aprovados pela Anvisa, o órgão regulador nacional.

A hepatite C é uma doença silenciosa: após a contaminação, o vírus C provoca inflamação no fígado que pode tornar-se crônica sem provocar sintomas, evoluindo para a cirrose e câncer de fígado. Infelizmente não existe vacina contra hepatite C,  mas há para a hepatite B, portanto vacine-se, pois o vírus B também evolui para cirrose e câncer de fígado.

Não compartilhe agulhas ou seringas, escovas de dente, lâminas de barbear, instrumentos de manicure nem agulhas e tinta de tatuagens, pois o vírus se transmite pelo sangue e tudo isso pode ser fonte de contaminação. Médicos de qualquer especialidade podem solicitar o anti-HCV, que se for positivo necessita o exame de carga viral. Se neste o vírus for detectado, procure o hepatologista, gastroenterologista ou infectologista.

O Brasil pretende erradicar a hepatite C até 2030. Sabemos que não será fácil, pois além da prevenção de novos casos, diagnosticar e tratar os que já têm a doença é essencial e pode ser a chave para o sucesso dessa empreitada.