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Artigos Médicos

Maria de Fátima Duques

Maria de Fátima Duques

CRM-PB: 2638 Especialidade: Gastroenterologista

Hepatite C: está próxima sua erradicação?

Publicada em 28/07/2017 às 18h00

O Julho Amarelo é dedicado à luta contra as hepatites virais. Hepatites causadas pelos vírus B e C podem cronificar e evoluir para a cirrose e câncer de fígado. São, portanto, doenças que devem ser prevenidas, já existindo vacina contra a hepatite B, o que não ocorre com a hepatite C. Contra esta última, nos últimos anos várias drogas foram incorporadas ao arsenal terapêutico. Medicamentos anteriores tinham inúmeros efeitos colaterais e baixos índices de cura; a combinação dos novos fármacos atinge percentuais de cura que beiram os 100%.

 

Essa quase vitória faz esbarrar a pergunta do título em várias questões, que devemos abordar com afinco. O alto preço dos medicamentos atuais levou os governos a limitar o seu uso em pacientes mais graves e de maior risco, conforme reza o atual protocolo de tratamento. São prioridade os cirróticos, os próximos a isso e algumas outras situações que são listadas neste documento emitido pelo Ministério da Saúde e que orienta a conduta médica. Nas próximas atualizações, é provável que haja a ampliação das situações em que todos, ou pelo menos a maioria dos acometidos pela doença, deverão ser tratados.

 

O diagnóstico é fundamental, pois a Hepatite C é considerada uma epidemia silenciosa, haja vista a ausência de sintomas; muitas vezes ela só é detectada já com a cirrose instalada. Atualmente, recomenda-se realizar o teste anti-HCV em pessoas com idade igual ou maior que 45 anos. Se o resultado for reagente, é necessário realizar outro teste, por biologia molecular, que confirmará ou não a presença da doença, exigindo a avaliação do especialista.

 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu recentemente uma recomendação para que todos os médicos incluam testagens para HIV, sífilis e hepatites B e C nos pedidos de exames de sangue convencionais. Portanto, o teste anti-HCV pode ser solicitado por qualquer médico e o paciente também pode lembrar-se dessas letrinhas que podem ser salvadoras.