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Artigos Médicos

Maria Elizabeth de Assis Holanda

Maria Elizabeth de Assis Holanda

CRM-PB: 2742 Especialidade: Pediatria

Quando o amor é forte, nenhum adeus é eterno

Publicada em 05/10/2018 às 18h

Perder um filho é algo que comove até aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ter um. Ninguém imagina que pode passar por uma situação assim. Mas quando chega, depois de todo o sofrimento, é importante encontrar sentido e transformar a dor em um novo estímulo para viver. Essa é a minha história. Embora a saudade seja ainda muito forte, a gratidão pelo convívio que tivemos e as lembranças deixadas são o que me movem.

José Stênio de Almeida Holanda Filho é o meu filho caçula. Muito criativo e ousado em tudo que fazia. Sempre lutava pelo primeiro lugar, não importava a dificuldade que isso teria, pois trazia consigo a garra sertaneja herdada da vivência com nossa gente. Sabia que não seria fácil, mas nunca desistiu de buscar aquilo que acreditava. E foi assim toda a sua vida, lutando.

Graduado em medicina, Stênio Holanda Filho fez residência médica em neurocirurgia no Conjunto Hospitalar Mandaqui, em São Paulo. No final de 2014, foi aceito pelo professor Albert L. Rhoton para ingressar como Fellow na Universidade da Flórida.

Logo em seguida, foi acometido por uma neoplasia de cólon que o impediu de continuar seu voo rumo à Flórida. Sempre confiante em Deus e na medicina que ele tanto amava, encontrava forças para buscar novo tratamento. Foram três anos de luta. Estive ao seu lado em todos os momentos. Tanto sofrimento, meu Deus!

Quando descobriu a doença, chegou à conclusão de que o seu aprendizado não poderia ir junto com ele. Continuou firme e ainda nos deixou, compartilhando o seu conhecimento na neuroanatomia, reconhecido até mesmo por mestres como o próprio Dr. Rhoton, o livro “Neuroanatomia prática e ilustrada – Perguntas e Respostas - 3D”.

Toda a sua obra foi produzida em meio ao turbilhão de tempestades e tratamentos que ele enfrentava, mas nem assim ele desistiu. Cumpriu o seu desejo desde o início do seu tratamento que era disseminar a importância do estudo da neuroanatomia. Para nós, familiares, resta a saudade e a crença de que a sua passagem foi breve, não porque ele não gostasse da vida, pois adorava viver, mas por descobrir que ele não era daqui. Temos a certeza de que ele deixou muitas lembranças nas pessoas com as quais conviveu. Por fim, cremos que, no dia 10 de janeiro de 2018, ele apenas saltou e voou, tornando-se um anjo de luz...