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Artigos Médicos

Sebastião Aires de Queiroz

Sebastião Aires de Queiroz

CRM-PB: 475 Especialidade: Pediatra e médico do trabalho

Interpretação dos choros dos bebês

Publicada em 06/10/2017 às 18h00

Decifrar o choro de um bebê é desafio que requer intuição, percepção e conhecimento por parte dos pais e dos pediatras. Segundo a musicista australiana Priscila Dunstan (DBL – Dunstan Baby Language), desde os primeiros dias de vida, até os três meses, independentemente do país em que tenham nascido, os bebês choram da mesma maneira, respectivamente, para cada uma de suas necessidades comuns. Os sons que vocalizam baseiam-se em reflexos, e é importante atentarmos para suas expressões corporais, a fim de que possamos discernir as características de seus chorosos reclamos. Os recém-nascidos choram, sobretudo, quando sentem fome ou sede; sono, calor ou frio; com fraldas unidas ou sujas; quando muito manipulados; com poluição sonora e luminosa no ambiente em que vivem; ou por se sentirem carentes de aconchego e de carinho maternal.

Segundo a especialista, em pelo menos cinco das situações abaixo citadas, os bebês até três meses tendem a apresentar choros característicos que podem ser decifrados,sobretudo por suas mães:

a) fome/sede: o som que emite é “Néh” (a língua fica bem apontadinha para o céu da boca, como quando ele mama);

b) sono: “own” (a boquinha fica ovalada ao bocejar);

c) arroto: “éh” (percebe-se incômodo na barriguinha, como se ela estivesse empurrando algo);


d) desconforto: “hen” (é como uma reclamação que pede para trocar a fralda molhada ou suja, ou para mudar de posição);

e) cólica: “eair” (é um apelo mais intenso, mais agudo e mais sofrido).

Os sinais de fome não cessam com carinhos; as sensações de frio ou calor denotam incômodo; a fralda suja e a roupa apertada geram um choro fraquinho e estridente; com sono, a criancinha boceja e apresenta choro nervoso; no excesso de estímulos, o choro é meloso e acontece em dia movimentado; e, na cólica, ele é agudo e intenso e leva o paciente a esticar as perninhas, tremer o queixo e fazer cara de dor. Para cada uma dessas necessidades, as soluções são fáceis e práticas. Se o choro persistir e o bebê apresentar sintomas de infecção, os pais deverão procurar o pediatra.