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Artigos Médicos

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630 Especialidade: Pneumologista

Um breve histórico do tabagismo

Publicada em 26/05/2017 às 18h00

No mundo civilizado, quem teve o 'privilégio' de ter o primeiro contato com o artefato mais mortífero já produzido pelo homem, foi o genovês Cristóvão Colombo.

Consta em seu diário de bordo que suas caravelas ao se aproximarem das Bahamas cruzaram com um índio numa canoa repleta de folhas. Em terra, nos primeiros contatos, percebeu-se as mil e uma utilidades daquela planta estranha: curava doenças (uso médico); nas epidemias, o pajé utilizava a fumaça para "espantar os maus espíritos" (uso médico-sanitário ); fumava-se o cachimbo da paz(uso político) e, essencialmente, servia aos seus rituais mágico-religiosos pela ação lúdica da nicotina.

Deu-se que, em 1542, Luís Goes teve a péssima ideia de levar mudas e folhas para Portugal. Na corte, o sucesso foi absoluto. Vejam só, tratava doenças respiratórias. Jean Nicot (gravem esse nome) era um diplomata francês que em visita a Portugal ficou curioso e impressionado com os dotes farmacêuticos daquelas folhas. Não deu outra! Levou para seu país e lá, sua rainha, Catarina de Médicis, curou uma enxaqueca inalando aquela fumaça de forte cheiro atrativo. A repercussão foi tão intensa que durante muito tempo o tabaco ficou conhecido como a 'erva da rainha'. E foi a França que iniciou e expandiu o tabagismo, daí o nome de sua mais famosa substância ser uma homenagem ao diplomata curioso.

Em 1882, o americano James Bonsack teve a terrível ideia de inventar a máquina de fabricar cigarros (120 mil por dia,). A filmologia de Hollywood e as duas Grandes Guerras, mexendo com a emocionalidade da população mundial, aliaram-se à ação antidepressiva da nicotina para massificar o tabagismo durante a primeira metade do século passado.

Resumindo: 5 milhões de mortes/ano. O artefato mais mortífero já produzido pelo homem matou mais que as duas guerras mundiais e todas as epidemias já ocorridas no planeta. Mas, nesse 31 de Maio, pelo menos uma boa notícia para comemorar o DIA MUNDIAL SEM TABACO: nos últimos nove anos o número de fumantes no Brasil caiu 30,7%, atingindo um índice de 10,8%.

Muitos adultos conscientizados largando o cigarro, o foco agora é trabalhar/conscientizar crianças e adolescentes que participam com 9 em cada 10 novos fumantes. Rumo a ambiciosa meta de erradicar a arma mais letal à humanidade em todos os tempos!