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Artigos Médicos

Carla Christina L. Pereira Bezerra Cavalcanti

Carla Christina L. Pereira Bezerra Cavalcanti

CRM-PB: 4685 Especialidade: Oftalmologia

Conjuntivites – conheça e evite!

Publicada em 17/01/2020 às 16h16

A conjuntivite é uma doença ocular bastante comum que acomete a conjuntiva (membrana transparente vascularizada que reveste o branco do olho) e ocorre com mais frequência em fases específicas do ano, como o alto verão e o inverno. No verão, devido à aglomeração da população e maior exposição, a conjuntivite viral tem mais incidência, podendo se tornar até epidêmica.

Ela acarreta sintomas de vermelhidão, lacrimejamento, inchaço nas pálpebras, coceira e secreção aquosa, incapacitando o indivíduo às suas atividades habituais e

também profissionais. Acomete inicialmente um olho e rapidamente atinge o olho

contra lateral.

O tratamento inicial se faz com compressas geladas, lubrificantes e anti-inflamatórios não esteroidais, com o cuidado de lavar sempre as mãos, trocar roupas de cama e não compartilhar utensílios domésticos, evitando contato próximo com as pessoas. Assim como uma gripe comum, ela é autolimitada, ou seja, tem um tempo determinado para que haja a sua melhora.

Porém, dependendo da virulência viral (agressividade do vírus), pode haver intensa

inflamação da conjuntiva, com quemose (bolha conjuntival), hemorragia subconjuntival e formação de membranas internas, com duração de até um mês após o seu início. Nos casos mais severos, torna-se necessário o uso de medicações fortes (corticoides tópicos), bem como a retirada regular dessas membranas

pelo oftalmologista.

Por estas razões, a conjuntivite não deve ser desvalorizada com o uso inadequado de medicações, que muitas vezes são recomendadas por familiares e até balconistas de farmácia, pois há um grande risco de piora do quadro com exacerbação da atividade viral e acometimento da córnea, levando à baixa visual, que pode persistir por meses e até anos após a crise.

Esta doença é altamente contagiosa e seu contágio se dá através de gotículas da secreção ocular, deste modo não se transmite no ar ou simples presença no mesmo ambiente. O paciente acometido pode ter tido contato direto com um portador de conjuntivite (beijo,abraço, toque), mas na maioria das vezes, contrai a doença através do ato de coçar os olhos, cujas mãos contaminadas (botão do elevador, maçaneta de porta, controles de TV...) levam o vírus aos olhos!

Portanto, nesta fase tão prazerosa do ano, torna-se salutar um alerta à toda a população: “Nunca coce ou esfregue seus olhos!”. E, na presença de portadores de conjuntivite na família, tenha o cuidado de limpar todas as superfícies comuns com álcool gel (70%), evitando o contato direto com o mesmo!