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Artigos Médicos

Marcela Leite

Marcela Leite

CRM-PB: 6437 Especialidade: Endocrinologia pediátrica

Dislipidemia na infância

Publicada em 05/04/2019 às 18h

A elevação dos níveis de colesterol (dislipidemia) tem se tornado um problema de saúde muito frequente entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo. Neste grupo etário, a obesidade e os maus hábitos alimentares têm sido os grandes vilões na maioria das vezes.

A vida moderna, em que os pais precisam se dedicar cada vez mais ao trabalho e têm menos tempo de preparar os alimentos da família em casa, faz com que muitas crianças tenham como base alimentar os alimentos industrializados e fastfoods, ricos em gorduras saturadas e trans, grandes responsáveis pela elevação do colesterol e obesidade.

Além disso, o uso frequente de telas (smartphones, tablets, computadores e televisão), em detrimento da prática de exercícios ou brincadeiras ao ar livre, também tem influência negativa. A obesidade e a dislipidemia iniciadas na infância tendem a se perpetuar pela idade adulta, aumentando o risco de doença cardiovascular (hipertensão, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral).

Sendo assim, faz-se necessário adotar medidas preventivas urgentemente, de modo a evitar que nossas crianças e adolescentes tornem-se adultos doentes. Essa prevenção já deve começar no pré-natal, uma vez que existem fatores de risco relacionados à gestação, tais como obesidade materna, diabetes gestacional e bebês nascidos ou pequenos ou grandes para a idade gestacional.

O aleitamento materno exclusivo atua como outro importante fator de proteção contra obesidade e dislipidemia, bem como várias outras doenças crônicas.Também é de suma importância uma alimentação saudável, com baixo teor de açúcares e gorduras saturadas e poli-insaturadas e elevado teor de ômega 3, 6 e 9 (presentes em alguns peixes, sementes de linhaça, azeite de oliva, abacate, oleaginosas etc), bem como fitoesterois (óleo de soja e girassol) e fibras solúveis (aveia, por exemplo).

Por fim, a prática regular de atividade física (uma hora por dia de atividade moderada a vigorosa) deve ser incentivada.