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Pré-operatório pulmonar

Publicada em 27/04/2015 às 09h57

Ninguém discute o prestígio do coração, enquanto órgão essencial à vida. Ressalve-se, no entanto, que ele só funciona com um combustível gerado no pulmão: o oxigênio

São dois, os postos de combustíveis e eles precisam estar em perfeita funcionalidade para garantir uma cirurgia tranquila.

Explico:

A capacidade (respiratória) vital nas intervenções torácicas ou de abdômen superior cai cerca de 50 a 60% nas primeiras 24/48 horas pós-cirurgia.
A restauração completa dessa capacidade vital (CV ) só vai ocorrer 7 a 14 dias após o procedimento cirúrgico.

Se o foco for no abdômen inferior a queda da CV fica em torno de 20%, nas neurocirurgias 25% e nas periféricas 10%.

No pre-operatório pulmonar a nossa especialidade costuma se amparar na Escala de Torrington&Henderson para avaliar as condições cirúrgicas. A Escala é montada em cima de vários fatores envolvidos com a CV e cada um deles recebe pontos diretamente conectados com sua importância em avaliar e/ou reduzir as condições respiratórias do paciente.

Quanto maior a pontuação mais elevada é o risco cirúrgico. Destaque absoluto para a Prova de Função Pulmonar que sozinha pode atingir 4 pontos de um total de 12.

Se a cirurgia é torácica (coração, pulmão... ) ou abdominal alta(estômago, fígado...) recebe 2 pontos. Já o fumante ( tem que largar o cigarro 2 meses antes), o idoso(+ 65 anos) e o obeso vão pra sala de cirurgia com 1 ponto.

Leva 1 ponto também a doença pulmonar, cirurgia periférica e sintomas respiratórios.

Na leitura final, o risco cirúrgico é baixo quando atinge de 1 a 3 pontos e é moderado quando oscila entre 4 a 6 pontos. Se a Escala fica entre 7 a 12 pontos, o risco cirúrgico é considerado elevado e em 35% das cirurgias gerais as complicações certamente vão estar presentes.

Concluindo: uma avaliação pré-operatória competente é pré-requisito fundamental para uma cirurgia sem sobressaltos.

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630

Especialidade: Pneumologia

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