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Artigos Médicos

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630 Especialidade: Pneumologia

Alergias do verão

Publicada em 27/01/2012 às 12h

De uma maneira bem objetiva, pode-se afirmar que as alergias têm uma predileção toda especial pelo nariz (rinite), brônquios (asma) e pele (urticária).

As muitas chuvas dos meses de maio, junho e julho trazem com elas muito espirro, obstrução nasal, coriza. Aumentam também a tosse, o cansaço, o chiado e as secreções. Os grandes vilões dessa história atendem pelo nome de fungos e ácaros (gostam de umidade e não toleram a luz do sol), que têm como coadjuvante a atuação eficiente das mudanças bruscas de temperatura para determinar as alergias respiratórias.

Se fungos e ácaros infernizam a vida dos riníticos e asmáticos durante o período chuvoso, no verão os vilões mudam de nome: os alimentos, que vão produzir muita coceira e vermelhidão na pele, sintomas característicos da urticária.

Para facilitar o diagnóstico, é indispensável observar uma peculiaridade - a fugacidade. Aqueles sintomas que ocorrem, geralmente, após duas horas à ingestão do alimento, tendem a desaparecer em até 12 horas (raramente em até 48 horas) sem deixar vestígios.

Há de se convir que, na praia, fica difícil resistir a um peixe frito, camarão, caranguejo, amendoim torrado, suco de frutas cítricas e ao refrigerante, repleto de aditivos químicos. É importante ficar atento, pois são eles os grandes responsáveis pelas urticárias que ocorrem com muito mais frequência nesse período do ano.

Na maioria das vezes, os sintomas se iniciam na própria boca - edema nos lábios (angiodema), coceira no céu da boca, garganta e lábios - e depois se disseminam pelo corpo com placas avermelhadas altamente pruriginosas. O sinal amarelo deve acender quando a garganta começa a apertar com sensação de sufocamento. O edema de glote é uma situação de alto risco que exige intervenção médica imediata.

É indispensável acrescentar que as alergias aos alimentos estão na maioria das vezes inseridas nas urticárias agudas (até 6 semanas de episódios recorrentes) e respondem muito bem aos histamínicos.