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Artigos Médicos

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630 Especialidade: Pneumologia

Como largar o cigarro

Publicada em 24/05/2019 às 17h53

Muito simples: é só ter a força de conviver durante muitos e muitos dias com os sintomas que compõem a síndrome de abstinência da nicotina - inquietude, palpitações, estresse à flor da pele, ansiedade e uma quase incontrolável vontade de dar umas baforadas. Só conseguem, aqueles ‘heróis’ que, dispondo da velha e conhecida força de vontade, após um ano sem as amarras da dependência tabágica, cruzam a linha de chegada para  se tornarem ex-fumantes. Muitas palmas para esses ‘heróis’, considerando que a nicotina é uma substância psicotrópica, inserida juntamente com a cocaína no grupo dos estimulantes da atividade do Sistema Nervoso Central. 

Vale informar que esses ‘heróis’ costumam dispor de uma excelente estabilidade emocional! Mas, e aqueles tabagistas mais frágeis, cheios de ansiedades, estresses e depressões, elevando sua dependência ao nível das nuvens? Vamos entender:  são duas as dependências do tabagismo.  Física, relacionada diretamente com o prazer fugaz determinado pela ação dopamínica da nicotina; e a Psicossocial, conectada ao  mecanismo de adaptação às situações de frustrações, solidão, pressões sociais e ligada ainda às rupturas da harmonia emocional produzida pelos estresses do dia a dia.

Na verdade, o tabagismo é um novo comportamento inserido na vida do fumante e aquelas fragilidades emocionais, jamais vão permitir que ele consiga largar o cigarro sem um suporte adicional. E esse apoio pode vir dos produtos antitabaco disponíveis no mercado, mas fundamentalmente, de um trabalho para neutralizar a dependência psicossocial, muitas vezes mais difícil transpor do que a própria dependência nicotínica.

E essa transposição, de acordo com estudos dos cientistas da Universidade da Escola de Medicina de Harvard, Nicholas Cristakis, James Fowler, precisa ser realizada com trabalho em grupos:  “As pessoas deixam de fumar como grupos e não como indivíduos”.  E a Terapia Cognitivo-Comportamental, dentro desse trabalho de grupo ficou muito bem sedimentada na pesquisa de Vasquez&beconã”: “em termos de estabilidade, 48,9%  dos que participaram do tratamento permaneceram sem fumar após seis anos”.

De olho no Dia Mundial de Combate ao Tabagismo (31 de Maio) e com um pé fincado nessa realidade, as duas abordagens - cognitivo - comportamental e medicamentosa, foram estruturadas dentro de um projeto, que será encaminhado à diretoria executiva da Unimed JP e que pretende recuperar 60 a 80% dos 8.500 fumantes inseridos no quadro de usuários da Cooperativa.

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