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Artigos Médicos

Erich Christiano Madruga de Melo

Erich Christiano Madruga de Melo

CRM-PB: 5665 Especialidade: Otorrinolaringologista

Saúde vocal

Publicada em 16/02/2018 às 13h23

A voz é o nosso principal meio de comunicação.  Nós a utilizamos, diariamente, para nos comunicarmos com o mundo e expressarmos nossas emoções, quando dizemos sim, não, bom dia, por favor, eu te amo, senti sua falta, quando contamos uma história, quando cantamos no chuveiro e em tantas outras situações. No entanto, por fazer parte da nossa vida desde cedo, não costumamos encará-la como algo precioso, que deva ser cuidado. Todos nós, em especial os que trabalham diretamente com a voz, precisamos nos preocupar com nossa saúde vocal e ficarmos atentos a sintomas e sinais que sugiram problemas, como rouquidão, pigarro constante, voz fraca, falhas ou cansaço ao falar.

Nossa voz é uma função adaptativa ou aprendida, não existindo um órgão fonador específico. Para falarmos, utilizamos três processos fisiológicos: a exalação, a fonação e a ressonância e articulação, controlados conscientemente. A exalação consiste na geração de uma pressão de ar abaixo das pregas vocais durante a expiração, que é a força motriz para a geração do som. Após esta etapa, ocorre, na laringe, a fonação, que consiste na vibração da mucosa das pregas vocais, o que dá origem ao som primário da voz. Por fim, este som sofre o efeito da ressonância e da articulação no restante do trato vocal (faringe, boca, nariz) e o produto final, que sai pelos lábios, é a nossa voz.

Dizemos que um indivíduo tem uma voz “normal” quando ele tem uma produção vocal de qualidade aceitável socialmente, que não interfere na inteligibilidade da fala, permite seu desenvolvimento profissional, apresenta frequência, intensidade, modulação e projeção apropriadas para o sexo e a idade do falante e transmite a mensagem emocional do discurso.

Doenças que acometam quaisquer destes processos podem levar a alterações na emissão vocal, que chamamos de disfonias. Patologias pulmonares, como asma, bronquites e enfisema, podem diminuir nossa capacidade pulmonar e a potência de nossa voz. Afecções que acometem a laringe, como as laringites, doenças benignas e malignas, podem alterar nossa qualidade vocal, gerando uma voz rouca, soprosa, astênica, tensa ou instável. Da mesma forma, lesões mecânicas ou neurológicas da faringe, boca ou nariz podem alterar nossa ressonância e articulação, ocasionando vozes hipo ou hipernasais e disártricas.

Dê ouvidos a sua voz! Procure um otorrinolaringologista para uma avaliação adequada da sua saúde vocal. Ele é o profissional adequado para definir o diagnóstico e, juntamente com o fonoaudiólogo, traçar a melhor conduta para o tratamento dos problemas da voz.