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Artigos Médicos

Raquel Mendes Cordeiro

Raquel Mendes Cordeiro

CRM-PB: 5526 Especialidade: Psiquiatria

Depressão: mal do século

Publicada em 31/03/2017 às 18h00

Não é a toa que este ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora o Dia Mundial da Saúde abordando o tema "Depressão". A doença afeta de 4,4% da população mundial, aproximadamente 322 milhões de pessoas; no Brasil, esses números chegam a 5,8%, o equivalente a 11,5 milhões de pessoas. Nos últimos 10 anos, houve um crescimento de 18% no número de casos, sendo o Brasil o 2º colocado no ranking da depressão e o 1º em ansiedade.

É uma das doenças mais incapacitantes que existe. A pessoa sente uma intensa falta de ânimo, sem energia muitas vezes para as tarefas básicas do dia a dia, como arrumar a casa, fazer sua comida ou até mesmo levantar-se da cama e tomar um banho. Já ouvi paciente relatar que a depressão é pior que doenças orgânicas graves, pois em momento algum sente prazer, alegria ou esperança.

Felizmente, nas últimas décadas, há um olhar mais humanizado para com o portador de transtornos psiquiátricos. A ciência nos trouxe novas medicações que ajudam os pacientes no retorno à sua vida normal, retomando atividades como trabalho e vida social. Hoje sabemos que a depressão é uma doença do cérebro. Quem é acometido possui atividade reduzida em regiões cerebrais específicas, ou seja, a pessoa não apresenta tal comportamento porque quer. O cérebro dela funciona de maneira diferente de como deveria, produzindo menos substâncias (neurotransmissores) e assim provocando a sintomatologia da doença. A medicação age aumentando a quantidade dos neurotransmissores. É de fundamental importância o apoio da família. Falas como "é preguiça" ou "esses remédios vão acabar com você" só atrapalham o tratamento e precisam ser combatidas.

O depressivo é um doente do cérebro, assim como o diabético é do pâncreas. Psicoterapia e mudança nos hábitos de vida são fundamentais. Estudos mostram que a atividade física tem resultado semelhante às medicações antidepressivas em idosos com depressão leve. Jamais permita que o medo e o preconceito impeçam você de ser feliz.