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Artigos Médicos

Marco Aurélio Smith Filgueiras

Marco Aurélio Smith Filgueiras

CRM-PB: 1368 Especialidade: Neurologia

Disléxicos, como lidar com eles

Publicada em 09/11/2018 às 18h

Para quem não leu os textos anteriores, DISLEXIA é um transtorno específico do aprendizado que ocorre com relativa frequência em cerca de 10% de crianças de inteligência normal, entre 5 e 7 anos, em fase de alfabetização. Inicia-se pela dificuldade de reconhecer letras, soletrar e depois, na compreensão da leitura escrita, gerando uma lentificação no processamento de comunicação expressiva e receptiva. Requer uma equipe multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento. Os profissionais que lidam com o disléxico são: o neuropediatra, o psicopedagogo, o fonoaudiólogo e o professor. O neurologista infantil é geralmente um dos primeiros a ser procurado pelos genitores. Ele faz a suspeita diagnóstica e o encaminha ao psicopedagogo. Este profissional, que alia conhecimentos de psicologia, antropologia e pedagogia, é quem intervém e monta estratégias terapêuticas diante das limitações do menor, podendo requisitar de imediato a avaliação do fonoaudiólogo, cuja principal atuação é analisar a consciência fonológica, ou seja, o sistema sonoro do idioma. Uma vez detectada a dislexia, cabe à equipe da escola, trabalhar o aluno de maneira “distinta”, para fazer com que consiga amenizar suas dificuldades na aprendizagem. O professor por ser o primeiro a recepcioná-lo e acompanhá-lo na escola, deveria estar pronto para ajudá-lo, evitando compará-lo com os coleguinhas, não submetendo-o à pressão do tempo ou competição com os demais e também não forçando-o a aceitar a lição do dia. Em virtude de seu comportamento ser diferente dos demais, existe o risco de ele ser considerado erroneamente inquieto, relapso ou desatento. O professor e o psicopedagogo são os principais envolvidos em lidar com crianças disléxicas, conforme comentamos logo acima. Por estas razões, todas as escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio, sejam públicas ou privadas, deveriam obrigatoriamente ter um psicopedagogo de plantão, assim como as farmácias, que só são autorizadas a funcionar se tiver um farmacêutico.

 

Marco Aurélio Smith Filgueiras, neurologista, CRM-PB 1368