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Artigos Médicos

Sebastião Aires de Queiroz

Sebastião Aires de Queiroz

CRM-PB: 475 Especialidade: Pediatra e médico do trabalho

Estomatites ou lesões bucais mais frequentes em crianças

Publicada em 11/05/2018 às 18h00

Estomatites são processos inflamatórios da cavidade bucal e da faringe. Em crianças, essas lesões têm origem mais frequente em infecções micóticas ou virais, traumas da mucosa, reações medicamentosas e doenças que possam comprometer a imunidade dos pacientes.

Neste espaço, trataremos, apenas, das duas mais comuns infecções que podem acometer a cavidade oral: a “Candidíase” e a “Gengivoestomatite Herpética Aguda Primária”. A primeira é causada pelo fungo “Cândida albicans”. A precária higiene oral, a anemia, bem como o uso prolongado, anterior, pela criança, de antibióticos ou de corticosteroides favorecem a instalação da micose. A forma clínica de maior incidência é a “Candidíáse Pseudomembranosa”, que se manifesta por placas brancas ou amareladas, de fácil remoção, mas que podem sangrar, quando de sua raspagem. Localiza-se mais frequentemente no palato, na superfície dorsal da língua e na orofaringe.

O diagnóstico clinico poderá ser confirmado por exame micológico ou cultura do fungo em meio apropriado. Os pacientes pediátricos queixam-se de dor e queimação nas regiões afetadas e apresentam dificuldade de alimentação. O tratamento local consiste na alcalinização do meio bucal, com preparações locais de bicarbonato de sódio. Têm indicação o uso tópico de antifúngicos específicos e do antibiótico “Nistatina”, com prescrição médica. A prevenção é feita mediante o afastamento dos fatores predisponentes, da criteriosa higiene intrabucal e dos utensílios usados na alimentação das crianças.

A “Gengivoestomatite Herpética Aguda Primária” incide em crianças em torno do segundo ano de vida, e é rara após os seis anos. Seu tempo de evolução é de aproximadamente quinze dias. É causado pelo vírus herpes simples (HSV) tipo I, e predomina nas meninas de raça branca. O quadro clínico geral manifesta-se por febre, prostração, irritabilidade, dores de cabeça e inchaço ganglionar ("ínguas") submandibular. Localmente, instala-se uma gengivite, com vermelhidão e edema tecidual. Na orofaringe, língua e palato surgem vesículas (aftas) que se rompem e se ulceram, ocasionando dores intensas e salivação. Esses danos bucais dificultam a alimentação e podem comprometer a fala.

A prevenção exige zelosa higiene bucal e cuidados de limpeza de mamadeiras, chupetas ou outros objetos levados à boca dos pacientes. Os pais devem ser alertados quanto ao aspecto contagioso da infecção viral.  O tratamento consiste na hidratação dos pacientes, emprego de analgésicos, antitérmicos e de agentes antissépticos tópicos. O uso tópico do “Aciclovir” será mais eficaz quando aplicado no início da infecção. Os alimentos ácidos ou condimentados devem ser evitados e, quando servidos frios, ou à temperatura normal, são mais bem tolerados.