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Anomalias urinárias da criança

Publicada em 02/10/2015 às 17h

Vamos tratar aqui, de forma resumida, de algumas causas comuns no sistema urinário e como podem ser suspeitadas:

a) Ultrassonografia (US) na gravidez: metade das alterações ultrassonográficas realizadas neste período pode mostrar alguma alteração do sistema urinário fetal, sendo que a maioria não tem nenhum significado clínico ou funcional. A mais comum é a dilatação da pélvis renal (hidronefrose), ou seja, acúmulo de urina em maior ou menor grau. A maioria destes casos tende a normalizar espontaneamente, dependendo do grau de dilatação piélica, que deve ser mensurada por US poucos dias após o nascimento. Nos pacientes que apresentam hidronefrose moderada ou severa, são solicitados exames de imagem para termos um diagnóstico correto e a conduta adequada. A obstrução pieloureteral é a mais frequente e necessita de tratamento cirúrgico. Quando tem dilatação dos ureteres com bexiga espessada em menino, a válvula de uretra posterior é uma possibilidade, e requer tratamento precoce pelo alto risco de sepse. A duplicidade pieloureteral com ureterocele é outra condição que necessita de investigação e tratamento cirúrgico também pelo risco de infecção.

b) Infecção urinária de repetição: pode ser o primeiro sinal de uma anomalia urinária, pois em torno de 30 % pode estar presente o refluxo vesicoureteral, que é o retorno da urina da bexiga para os rins, durante ou não a micção. Nesta situação, o diagnóstico somente é dado pela radiografia chamada cistouretrografia miccional.

A avaliação da função renal nestes casos, através do DMSA, é imperiosa para determinar se já existem cicatrizes renais, pois estas são definitivas e podem interferir no desenvolvimento normal do rim. O tratamento do refluxo é inicialmente clínico, cabendo ao cirurgião, juntamente com o nefropediatra, decidir sobre as indicações cirúrgicas que devem ser precisas e cujos resultados são excelentes.

c) Rins ou bexiga palpáveis: podem ser devido à obstrução parcial à passagem da urina e os exames complementares elucidam o diagnóstico, cujo tratamento estará direcionado à sua etiologia.

Podemos dizer que o diagnóstico correto de uma anomalia urinária é realizado sem dificuldades, devendo ser precoce para que se estabeleça o tratamento. Nem todos são cirúrgicos. O prognóstico é bom na grande maioria dos casos.

Wilberto Silva Trigueiro

Wilberto Silva Trigueiro

CRM-PB: 871

Especialidade: Cirurgião pediátrico

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