Artigos Médicos

Covid - a esperança da vacina

Publicada em 25/12/2020 às 07h

Covid – a esperança da vacina

­

Esse filme de terror, que atende pelo nome de covid-19, protagonizado pelo Sars-CoV-2, um vírus gerado nas entranhas de morcego chinês, teve sua estreia apresentada ao distinto público na cidade de Wuhan, no último dia do ano de 2019.

Viajou pra Europa montado na garupa da desinformação e com a força de um tsunami produziu milhões de vítimas, sufocando os serviços de saúde, superlotando hospitais, comprometendo a capacidade dos necrotérios.

O Brasil foi invadido nos últimos dias de fevereiro por uma cepa que desembarcou no aeroporto de São Paulo, contagiou o Rio de Janeiro e chegou no Nordeste pelas portas do Ceará.

Sete meses depois, a curva epidêmica, que havia sofrido um declínio animador no mês de agosto, voltou a crescer em setembro, estimulada pela percepção generalizada de que a pandemia estava acabando e o consequente relaxamento do isolamento social foi determinante na realimentação do Ritmo de Contágio (Rt) da infecção.

Naquele mês de agosto, a Universidade Imperial College London, que avalia a evolução da pandemia no mundo, apontava o Rt do Brasil em 0,90, indicando redução gradativa dos novos casos da covid. Em setembro, esse índice evoluiu para 1,00 e, na leitura observada no mês de novembro, de cada grupo de 100 brasileiros infectados, outros 130 estavam recebendo o novo coronavírus (Rt-1,30). No último mês do ano, apesar de um recuo para 1,02, existe uma percepção muito consistente de que a curva epidêmica segue ultrapassando os limites verificados no auge da pandemia, em maio desse ano. A ascensão na curva de óbitos ratifica essa tendência.

Nesse contexto, mais do que nunca, os brasileiros jogam suas esperanças na chegada redentora da vacina.

Aplicada em duas doses com intervalo de 30 dias, os estudos disponíveis apontam esses imunizantes com uma taxa de eficácia em torno de 90%.

No organismo, a vacina vai estimular a produção de dois combatentes: os anticorpos, que vão pra luta no corpo a corpo; e as células T, que saem em busca dos vírus que escaparam do primeiro combate e se refugiaram no interior das células.

Distribuído em quatro etapas, o projeto oficial de imunização deve­ priorizar no primeiro momento o segmento etário acima de 70 anos, profissionais de saúde e população indígena; em seguida, serão imunizados os idosos entre 60-70 anos; os portadores de comorbidades acima de 18 anos (diabetes, enfisema, hipertensão, doenças cardio e cerebrovasculares, renal crônico, anemia falciforme, transplantados, portadores de neoplasias, obesidade grave) estão inseridos na terceira etapa. Na quarta fase, serão imunizados os profissionais de segurança/salvamento e do sistema prisional, os professores e a população carcerária.

Registre-se, no entanto, que para se atingir a chamada “imunidade de rebanho”, necessária à proteção do conjunto de todos os brasileiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma cobertura vacinal de 70-80% da população. A racionalidade manda avisar, portanto, que a não obrigatoriedade da vacinação vai certamente comprometer as metas da campanha, mantendo acesa a sanha patológica do Sars-CoV-2 de sobrecarregar serviços hospitalares, entupir UTIs, disseminar dor e sofrimento em muitas outras famílias brasileiras.

Vale ainda alertar para a realidade de uma pandemia. E a primeira regra é manter a consciência de que a vacina não é exatamente uma varinha de condão, que, num passe mágica, vai eliminar todos os vírus circulantes.

Os especialistas falam da necessidade de se continuar atento a todas atitudes do período pré-vacinal, que inclui, além do uso de máscaras e a manutenção nos cuidados do isolamento social, a higienização das mãos e, não menos importante, a testagem em todas as pessoas com manifestações sintomáticas compatíveis com a covid.

Em outras palavras, o controle efetivo da pandemia no curto prazo do período pós-vacinal, segue necessitando da consciência de cada cidadão brasileiro.

­

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630

Especialidade: Pneumologia

Mais artigos de Sebastião de Oliveira Costa