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Vem aí a vacina contra o cigarro

Publicada em 30/05/2004 às 00h

Não que o tabagismo esteja com os dias contados como a poliomielite, por exemplo. Até porque o cigarro, ao contrário do vírus da paralisia infantil, conta com dois fortes aliados: a enorme capacidade da nicotina de provocar dependência e os dois bilhões de dólares/ano que a indústria tabageira ainda investe em publicidade. Mesmo assim, a notícia veiculada no último festival de ciência da British Association pelo cientista britânico Campbell Bunce joga várias pás de esperança na possibilidade de ao longo prazo se reduzir drasticamente o consumo de cigarros no mundo.

A vacina que vem sendo testada há dois anos já se confirmou própria para o consumo humano. Vai fazer os fumantes atuais pararem de fumar? Não, porque ela não interfere nem reduz os sintomas constantes da síndrome de abstinência da nicotina. Mas após algum tempo sem fumar, a vacina pode atuar evitando a recaída.

Ao inalar a fumaça do cigarro todo mundo experimenta uma sensação de bem-estar. A responsável por esse prazer fugaz é a dopamina, substância que é liberada sempre que existe nicotina no sangue circulante. A vacina produz anticorpos que "isolam" a nicotina impedindo-a de chegar ao sistema nervoso central bloqueando por sua vez a liberação de dopamina. Em outras palavras, se uma pessoa fuma e, ao mesmo tempo, utiliza a vacina, não vai sentir a sensação de bem-estar produzida pelo cigarro. ConseqUentemente, jamais vai se tornar dependente. Só no Brasil, todo ano 5 milhões de pessoas aderem ao hábito de fumar.

Existem expectativas concretas de que o advento da vacina deva se tornar um divisor na remodelação do perfil epidemiológico do tabagismo em todo o mundo. Esta é uma ótima notícia para comemorar o Dia Mundial de Combate ao Fumo, amanhã.
Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630

Especialidade: Pneumologia

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