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Artigos Médicos

Sebastião de Oliveira Costa

Sebastião de Oliveira Costa

CRM-PB: 1630 Especialidade: Pneumologia

Cigarro: o mocinho que virou bandido

Publicada em 15/03/2019 às 18h

Os maiores astros do cinema mundial: John Wayne, Clark Gable, Charlton Heston... Nos filmes que eles protagonizavam, eram vistos duas ou três vezes beijando a mocinha. Ele, o cigarro, estava todo o tempo, em todas as películas, nos lábios das grandes atrizes. Foi o mocinho mais famoso de toda a cinematografia de Hollywood. Soube-se depois que todo seu prestígio foi construído através de um propinoduto que escoava para o bolso de atores, atrizes, diretores e produtores.

Depois da metade do século passado, montado na garupa dos Programas Antitabaco, o grande mocinho saiu galopando em busca de sua verdadeira identidade: o maior bandido que já habitou a face da terra.

Assassino frio e impiedoso, no auge do sucesso utilizou seu arsenal de 56 doenças para extrair a vida de 5 milhões de cidadãos (todo ano) ao redor do mundo, que não conseguiam se libertar de sua atração irresistível.

Difícil absorver como um criminoso com toda essa potencialidade e com essa ficha policial consegue andar por aí livre, leve e solto, na cara de todas as autoridades sanitárias do mundo e produzindo todo dia mais doenças e muitas mortes.

Bastante lamentável ainda é a constatação de que a fama de bandido não atingiu devidamente a consciência dos segmentos mais jovens. Por pura ‘distração' dos Programas Antitabaco, ele, o assassino impiedoso, segue deitando e rolando em meio à garotada.

Com o pé fincado nesta realidade, o Comitê de Tabagismo da Associação Médica da Paraíba - formado por várias instituições, entre elas a Unimed João Pessoa - desenvolveu uma programação no Dia Estadual de Combate ao Fumo (15 de março), com o objetivo específico de conscientizar a estudantada da rede pública para todas as maldades promovidas pelo “mocinho”. Essencialmente, aquelas maldades vinculadas às limitações sociais, à estética e ao desempenho esportivo.

A ideia é atrair a moçada para uma reflexão mais atenta, mais saudável e produtiva, que permita inserir uma nova mentalidade entre os jovens sobre o tabagismo. Até porque, não custa lembrar, são eles que participam com 90% do universo de novos fumantes.